Doenças autoimunes: discutindo as causas.

Doenças autoimunes ocorrem por uma desregulação do sistema imune em que há um ataque contra si mesmo, e são exemplos a tireoidite de Hashimoto, psoríase, lúpus, artrite reumatóide, esclerose lateral amiotrófica, esclerose múltipla, doença de parkinson, alzheimer, endometriose, infertilidade e muitas outras.

Vejamos a fisiopatologia provável. Digo provável porque é um campo muito recente, em que as evidências nos fornecem pistas indicando os possíveis mecanismos subjacentes, mas ainda é campo de intenso debate e evolução.

Como sabemos a maior parte de nosso sistema imune encontra-se nos intestinos (entre 80 e 90%). Há evidências de alterações na permeabilidade na mucosa intestinal que favorecem a entrada em capilares de substâncias não digeridas, como proteínas e mesmo substâncias químicas inorgânicas. A causa deste aumento de permeabilidade na mucosa intestinal (no intestino delgado) incluem danos provocados por proteínas vegetais (glúten e lectinas) ou animais (caseína), medicamentos, aditivos alimentares (corantes, acidulantes, ou outros) e agroquímicos.

Esta agressão inicial à superfície intestinal (gástrica) parece desencadear um aumento na produção de anticorpos (da qual a hipergamaglobulinemia é uma manifestação), os quais podem atacar membranas celulares em qualquer local de nosso organismo em uma confusão de identidade eu versus não-eu (mimetismo molecular). Este autoataque, que ocorre nas células da tireóide, nas articulações, snc, e mesmo nos intestinos, provoca desregulação do sistema endócrino, da neurotransmissão(com sintomas de ansiedade, pânico, depressão, mania e déficit de atenção), gera uma cascata inflamatória secundária (com aumento citocinas inflamatórias, fator de necrose tumoral, vsg e pcr) entre outros efeitos. Nota: crises ou ataques autoimunes ocorrem no pericárdio (pericardite), válvulas cardíacas, miocárdio, artérias (arterites e vasculites), snc(neurites e neuropatias), rins(nefrites), fígado (hepatites), e outros locais.

Além disto, esta alteração de permeabilidade intestinal ou mesmo por efeitos de antinutrientes, sobre os quais faremos matéria exclusiva, há prejuízo na função absortiva.

O intestino tem uma gigantesca superfície e abriga dez vezes mais bactérias do que o total de células de nosso corpo, as quais denominamos microbioma intestinal, e vem sendo crescentemente estudada. Este microbioma quando adequado, permite a síntese das vitaminas k2, d, b12, serotonina ( a maior parte é produzida nos intestinos, daí ser chamado de segundo cérebro) e a absorção de micronutrientes como iodo, zinco, ferro. Pacientes com dano intestinal frequentemente tem deficiência de vitamina d, b12, ferro e iodo. Um microbioma desequilibrado ou sob ação de antinutrientes, ou toxinas, favorece as doenças autoimunes, mas também o aumento de peso e contribuem para as doenças metabólicas da quais falamos aqui.

As mucosas digestivas são uma das principais interfaces entre nosso interior e o mundo externo. Precisamos de matéria prima para construirmos o que somos. Precisamos dos micronutrientes citados no parágrafo anterior, precisamos de aminoácidos (que fornecerão elementos para nossos ossos, colágeno, para formar nossos anticorpos e hormônios peptídicos e neurotransmissores). Este dano intestinal provoca insuficiência desta matéria prima.

O colega Souto faz analogia com “um filtro de café – precisa ser permeável para deixar passar a saborosa infusão, mas não deve deixar passar a borra do café. Qualquer coisa que produza aumento dos poros (ou mesmo um rasgo) nesse filtro, permitirá que a borra de café passe para o outro lado. O filtro fica “vazando” (“leaky”, em inglês)”.

Mesmo que o Souto a considere uma analogia imperfeita, e é compreensível, visto que nosso intestino tem uma complexidade incomparável com os poros de um tecido, acho uma boa analogia.

Leaky Gut se traduz como intestino permeável. E esta permeabilidade aumentada parece ser central ao problema. Permite a entrada de diversas proteínas e toxinas (metais, e mesmo enterobactérias outrora inofensivas). Há uma confusão entre os céticos, que reafirmam que a doença celíaca é pouco frequente. Mas aqui não se trata de sensibilidade específica ao glúten, não estamos falando de celíacos, trata-se da gliadina, uma proteína que se acopla com a zonulina (que controla as junções tight) , e por sua vez controla a própria permeabilidade intestinal. E isto ocorre em qualquer pessoa!

E onde há gliadina? Veja só, em alimentos ditos inocentes e até recomendados por quem se acha bem orientado e quer fazer dieta “saudável”: em pães integrais, granola, bolos, torradas, bolacha água e sal, ou sabidamente nocivos, como medicamentos e agrotóxicos.

Temos mudança da flora intestinal (a microbiota). Temos aumento da permeabilidade intestinal (com a zonulina, presente no glúten). Há prejuízo na absorção de nutrientes essenciais e mais prejuízo à imunidade e saúde. Há desequilíbrio na comunicação global (com danos aos neurotransmissores, confusão de hormônios, dano à mielina), há má-nutrição geral, há cascata inflamatória.

Quer mais?

Manter o intestino permeável, manter os alimentos e substâncias tóxicas e não repará-lo, é expor-se ao acaso. Costumo dizer que é uma casa com portas e janelas escancaradas em um bairro perigoso. É pedir para ser assaltado, é clamar para ter doenças graves.

A especificidade dos anticorpos que você produzirá depende de muitos fatores ambientais e da genética, e isto poderá determinar qual “ite” terá a partir das doenças autoimunes, se artrites, rinite ou asma, dermatites, enterites (“intestino irritável), neurites (polineuropatias), cistites assépticas ou infecciosas, e as que temos citado.

Se tomar antibióticos, anti-inflamatórios ou inibidores da bomba de prótons(omeprazol e similares) para reduzir os sintomas você possivelmente agravará sua situação intestinal e saúde.

Se você quiser saber a causa de tanta desordem a maior parte dos profissionais dirá que é idiopática. O que equivale a dizer que não se sabe a causa.

Mas, nós sabemos que a cura começa com a remoção das toxinas que ingerimos, através da dieta paleo, ou paleo restrita, ou dieta original autoimune.

Sabemos que o desequilíbrio de nossa mente (a percepção de estresse e o excesso de trabalho e preocupações) aumenta o cortisol e prejudica a regulação imune e hormonal.

Precisamos mudar nossa forma de agir e reagir. Precisamos dormir bem (reduz o cortisol), precisamos descansar. Precisamos agir com muito cuidado e consciência para fazermos escolhas adequadas. Se você precisa saber tudo isto, leia o blog Ouse, ali tem tudo isto! Assine e não perca um post!

Se você tem sintomas ou doença autoimune precisa ajuda médica, profissional, de nutricionista, especialistas.

Precisa ser paciente. Precisa aprender com aqueles que melhoraram.

Nós, enquanto médicos, adoradores da cura, precisamos desenvolver novas e melhores abordagens para reverter estes desafios e estas doenças.

 

 

 

Saiba o que são as doenças metabólicas

Doenças metabólicas? O que é isto? São importantes?

São um grupo de doenças que tem em comum a resistência insulínica com ou sem hipercortisolismo crônicos.

A teoria convencional relaciona essencialmente a resistência insulínica como causa. Já a Homeopatia considera mais o hipercortisolismo crônico. De minha parte, considero predominante a resistência insulínica, mas com a possibilidade de hipercortisolismo. Mas isto é uma discussão técnica e requer mais estudos para uma melhor conclusão.

No site da sociedade de endocrinologia se fala em Síndrome metabólica. De minha parte, prefiro considerar como uma categoria dentre as doenças crônicas não transmissíveis, as quais denomino doenças crônicas de base metabólica, ou simplesmente doenças metabólicas.

Nestas incluem-se algumas das mais frequentes e graves doenças: obesidade e sobrepeso (aumento de gordura abdominal ou visceral, mesmo em pessoas magras), hipertensão arterial, diabetes tipo 2 (dm2), dislipidemias (especialmente hipertrigliceridemia e hdl baixo), aumento de ácido úrico, cálculos biliares e renais(não todos dos tipos), esteatose hepática e ovários policísticos. Terminam com eventos graves como infarto agudo do miocárdico, acidentes vasculares isquêmicos, danos neurológicos (perda de visão, lesões nervosas e por fim, demências), complicações vasculares(úlceras e tromboses).

Um pesquisador chamado Reaven (meados dos anos 80, século XX) observou que doenças como hipertensão e desregulações na glicose e gorduras no sangue estavam associadas à obesidade ou sobrepeso, tendo um denominador comum a resistência insulínica. A este conjunto denominou Síndrome Metabólica (antes chamou Síndrome X), um importante fator de risco de doenças cardiovasculares.

O Consenso Brasileiro sobre Síndrome Metabólica sugere seu diagnóstico quando estão presentes três dos cinco critérios abaixo:

  • Obesidade central (a popular “barriga de chopp”) – circunferência da cintura acima de 88 cm na mulher e 102 cm no homem;
  • Hipertensão Arterial – pressão arterial sistólica >130 e/ou pressão arterial diastólica >85 mmHg;
  • Glicemia alterada (glicemia >110 mg/dl) ou diagnóstico de Diabetes;
  • Triglicerídeos > 150 mg/dl;
  • HDL colesterol < 40 mg/dl em homens e <50 mg/dl em mulheres.

Pessoalmente, consideramos ainda outros fatores, como presença de esteatose hepática e sinais de gordura visceral aumentada em exames como ressonância magnética, insulina acima de 5, HbA1C acima de 5,5; glicemia acima de 100, triglicerídios acima de 80 e relação CT/HDL maior 3,5.

Concordamos com vários autores que trabalham com medicina funcional e preventiva que preferem considerar critérios mais rígidos, os quais permitem cessação de danos pela glicação, pela elevação da inflamação ou pelo estímulo das vias de crescimento como a IgF-1.

São doenças extremamente relacionadas ao modo de vida e muito frequentemente completamente reversíveis quando ainda não há danos a tecidos ou órgãos vitais. Existem raramente casos familiares de base genética, mas como falei são raros, a maior parte é por modo de vida.

Preferimos atacar as causas destas doenças, e a causa em geral são erros alimentares, mas outros fatores como sono insuficiente ou de má qualidade, estresse crônico, sedentarismo, atuam de maneira complementar para agravar o problema.

Felizmente, temos obtido excelente resultado com uma dieta original metabólica (clique aqui para saber mais) e remédios de suporte (suplementos, como magnésio, vitamina d3 quando preciso, sais de cromo e zinco e mesmo a homeopatia).

Se você conhece alguém com um destes problemas, mostre este artigo, busque ajuda.