O QUE SÃO ALERGIAS E COMO OCORREM

Podemos dizer de maneira simplificada que a alergia é como um policial maluco atacando inocentes. Como jogar granadas para destruir temíveis borboletas! Quando falamos de policiais em nossos corpos, estamos falando de sistema imune. Então começaremos por ele.

O sistema imune é um sistema de proteção contra vírus, bactérias, fungos e outros patógenos. Desenvolveu-se durante a evolução em um ambiente diversificado, em geografias e climas variados. Nas populações com modo de vida caçador-coletor na atualidade, mantendo seu modo de vida ancestral as alergias são raras.

Explicarei inicialmente como funciona o sistema imune. A resposta imune de reconhecimento das substancias estranhas divide-se em dois sistemas. Os linfócitos T de auxílio 1(TH1) e 2(TH2), que agem desencadeando uma seqüência imune que é efetuada por citocinas (de natureza proteica,  com função de comunicação de ações inflamatórias e defesa). Relacionam-se também com o sistema celular e podem gerar ciclos recorrentes como acontece nas doenças autoimunes.

Ambos os sistemas Th1 e Th2 convivem em certo equilíbrio. Um predomínio do sistema Th2 e suas citocinas (IL-4 e/ou IL-13) ativa os anticorpos a produzirem IgE, depois basófilos e mastócitos na pele, o que aumenta a suscetibilidade a alergias, que chamamos atopia. Além disto, as IgE desencadeiam uma memória (sensibilização) da substância.

Existem respostas mais imediatas e tardias. Interessa-nos especialmente a resposta tardia, que é onde atuamos no sentido de evitar a recorrência e/ou cura das doenças alérgicas. Na resposta tardia o antígeno é apresentado a uma célula T(especialmente se já sinalizado pela IgE) e libera citocinas (primariamente IL-5), que induz a degranulação dos eosinófilos.

Ou seja, nas doenças alérgicas as respostas tardias parecem predominar. Estamos falando de predomino do sistema Th2.

Os distúrbios alérgicos tem tido prevalência aumentada mundialmente nas últimas décadas. Incluem a dermatite atópica, rinite alérgica, asma, alergia a alimentos, drogas e picadas de insetos, urticária e angioedema.

Denominamos alergenos às substâncias associadas ao início (ou desencadear) de processos alérgicos. Entre os alergenos inalados comuns temos os polens de flores e árvores, pelos de animais, poeira e mofo.  Entre os alergenos ingeridos estão os medicamentos (ex. penicilina, dipirona, ácido salicílico), alimentos como ovos, amendoins, trigo, nozes e frutos do mar, bem como químicos como níquel, cobre e látex.

Quer saber mais sobre os sintomas alérgicos mais comuns?

Leia em Alergia, crise nervosa no sistema de defesa.

Ouse Curar

A palavra cura está esquecida. Acredita-se que as doenças crônicas são incuráveis.

Qual o problema com esta visão? O problema é que aceitamos a doença como padrão usual e a ideia de que tomar remédios continuamente e declinar a qualidade de vida é normal.

Nós discordamos deste ponto de vista. Ousamos discordar. Ousamos imaginar e desejar a cura das doenças crônicas. Ousamos buscar obstinadamente alternativas.

O modelo convencional se baseia largamente naquele concebido para tratar doenças infectocontagiosas, no qual um agente provoca a doença e um remédio o trata. Neste caso, ter o diagnóstico, por exemplo, infecção de garganta provocada pelo estreptococos implicava no tratamento essencial, no caso um antibiótico, uma penicilina ou similar. Entretanto, no caso das doenças crônicas este modelo não se aplica. As doenças crônicas são complexas, tem várias causas e fatores associados à doença. E a busca de uma bala única que resolva cada doença não tem funcionado.

E mais, existem diferenças enormes na distribuição de frequência das doenças crônicas nas populações. Nos mesmos grupos étnicos (e com similaridade genética) há enormes variações de distribuição de doenças crônicas. O que isto quer dizer? Que a maior parte das doenças crônicas se deve a fatores relacionados ao ambiente e modo de vida das pessoas. E o modo de vida e o ambiente podem ser modificados com nossas ações.

Assim, desenvolvemos novos modelos de cuidado, promoção de saúde, reversão e prevenção de doenças crônicas.

Reavivamos a palavra cura. Reavivamos o sonho de um mundo sem doenças crônicas.